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Inteligência artificial11 min de leitura

Avaliação externa de IA: sete provas antes de aceitar um relatório

O AI Office está a trabalhar requisitos de independência e qualificação para avaliadores externos de modelos de uso geral com risco sistémico. Mesmo fora desse perímetro, quem compra uma avaliação deve saber distinguir ensaio reproduzível de um selo comercial.

Atualizado
Natureza
Análise operacional baseada no AI Act, AI Office, GPAI Code e NIST AI RMF
Quem deve ler
Compras, risco, segurança, jurídico e donos de sistemas de IA
Publicado e verificado
3 de agosto de 2026
Limite
Não constitui certificação nem parecer jurídico sobre o estatuto do sistema
Dois avaliadores independentes comparam módulos genéricos, instrumentos de calibração e dossiers de evidência
Uma avaliação só é credível quando independência, cenário, configuração, resultados e limitações podem ser reconstruídos.Imagem gerada por IA sob direção editorial da Velqory.

Em resumo

Contratar uma entidade externa não transfere a responsabilidade pela decisão. Um relatório útil identifica conflitos, equipa, versão exata do modelo e do sistema, ferramentas permitidas, orçamento de teste, cenários de dano, resultados brutos, incerteza e limitações. Sem estes elementos, uma percentagem de sucesso não permite comparar versões, reproduzir falhas nem decidir se o risco residual cabe no uso previsto.

  • Independência exige revelar relações financeiras, serviços anteriores, acesso do fornecedor e incentivos ligados ao resultado.
  • O objeto avaliado é uma configuração concreta — modelo, system prompt, ferramentas, dados, filtros e limites — e não apenas um nome comercial.
  • O cenário de teste deve representar uma via plausível para dano; um benchmark genérico não prova segurança no contexto real.
  • A organização que usa o relatório continua responsável por aceitar limitações, impor controlos e definir a próxima reavaliação.

O que está confirmado e o que ainda está a ser construído

O AI Act atribui à Comissão poderes de avaliação sobre modelos de uso geral e impõe aos fornecedores de modelos com risco sistémico avaliações segundo protocolos e ferramentas de referência, incluindo testes adversariais documentados. O GPAI Code desenvolve práticas de avaliação e mitigação para os signatários.

A 15 de julho de 2026, o AI Office reuniu especialistas para discutir independência e qualificação de avaliadores externos. Essa consulta informa requisitos futuros; não criou, por si, uma licença universal ou uma lista de avaliadores aprovados para qualquer sistema.

Cadeia mínima de confiança

  1. 1 · MANDATO
    Fixar a pergunta

    Definir decisão, risco, população, cenário e limiar antes de escolher o teste.

  2. 2 · INDEPENDÊNCIA
    Declarar relações

    Registar conflitos, remuneração, trabalhos anteriores e intervenção do fornecedor.

  3. 3 · EXECUÇÃO
    Congelar configuração

    Guardar versões, ferramentas, dados, orçamento, repetições e ambiente.

  4. 4 · RESULTADO
    Entregar prova

    Separar observações, inferências, incerteza, limitações e falhas de cobertura.

  5. 5 · DECISÃO
    Aceitar risco explicitamente

    Nomear controlos, dono, prazo e gatilhos de reavaliação.

As sete provas que devem acompanhar a conclusão

A qualificação da equipa não substitui a rastreabilidade do ensaio. Peça currículo e experiência, mas também um protocolo que permita a outra equipa perceber o que foi feito e porque é relevante para a decisão.

Gate de aceitação do relatório

ProvaPerguntaFalha que bloqueia
IndependênciaQuem pagou, influenciou e reviu?Conflito ou intervenção não declarados
CompetênciaQuem desenhou e executou cada teste?Experiência apenas genérica ou sem responsáveis
ObjetoQue modelo, versão, sistema e ferramentas?Nome comercial sem configuração
CenárioQue via para dano está a ser medida?Benchmark sem ligação ao uso
MétodoQue prompts, dados, orçamento e repetições?Procedimento não reproduzível
ResultadoQuais dados brutos, erros e intervalos?Pontuação agregada sem dispersão
LimitesO que não foi testado ou não generaliza?Conclusão mais ampla do que a evidência

Converter o relatório numa decisão útil

Ligue cada resultado a um risco e a um controlo. Uma falha pode exigir bloquear uma ferramenta, reduzir autonomia, reforçar revisão humana, mudar dados, limitar utilizadores ou adiar a entrada em produção. Um resultado favorável num cenário não autoriza extrapolar para outros.

Guarde o relatório com o inventário do sistema e programe nova avaliação quando mudar o modelo, o fornecedor, o prompt de sistema, as ferramentas, os dados, o público, o risco ou o orçamento de inferência.

  • Exija anexos executáveis ou amostras suficientes para reproduzir resultados materiais.
  • Registe resultados negativos e testes inconclusivos, não apenas o resumo executivo.
  • Mantenha separadas a conclusão técnica, a interpretação jurídica e a decisão de negócio.
  • Use um avaliador diferente ou revisão por pares quando a materialidade e o conflito o justificarem.

Consultadas na data de atualização indicada.

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