ISO 42001 e 42005: da política de IA à prova de impacto
O sistema de gestão organiza responsabilidades e melhoria. A avaliação de impacto torna visível quem pode ser afetado, de que forma e com que resposta ao longo do ciclo de vida.

Em resumo
A ISO/IEC 42005:2025 orienta avaliações de impacto de sistemas de IA e complementa a ISO/IEC 42001. Juntas, ajudam a ligar governação organizacional a efeitos concretos sobre pessoas, grupos e sociedade.
- A avaliação de impacto acompanha design, desenvolvimento, operação e monitorização.
- O resultado deve alimentar decisões do sistema de gestão, não ficar num documento isolado.
- Uma mudança de finalidade, dados, modelo, utilizadores ou contexto deve acionar nova revisão.
Duas camadas que precisam uma da outra
A ISO/IEC 42001 enquadra um sistema de gestão de IA. A ISO/IEC 42005, publicada em 2025, concentra-se na avaliação de como um sistema e as suas utilizações previsíveis podem afetar pessoas, grupos e sociedade.
A primeira cria continuidade organizacional. A segunda aprofunda uma pergunta concreta de impacto. Sem sistema de gestão, a avaliação pode ficar sem responsável ou revisão. Sem avaliação, a política pode não captar quem suporta os efeitos da decisão.
O dossier mínimo de impacto
A seguinte estrutura é uma síntese operacional da Velqory alinhada com o ciclo de vida descrito pela ISO e com a função Govern do NIST AI RMF.
- Finalidade e limite: decisão apoiada, utilização previsível e utilização proibida.
- Partes afetadas: utilizadores diretos, pessoas sujeitas ao resultado e grupos com exposição indireta.
- Impactos: benefício esperado, dano possível, gravidade, probabilidade e distribuição.
- Controlos: prevenção, deteção, contestação, supervisão humana e recuperação.
- Evidência: origem dos dados, testes, participação das partes, limitações e questões em aberto.
- Decisão: responsável, risco residual, condições de lançamento e próxima revisão.
Quando reabrir a avaliação
A ISO 42005 recomenda avaliar ao longo de todo o ciclo de vida e atualizar quando necessário. Na prática, a organização deve definir gatilhos observáveis em vez de depender de uma revisão anual genérica.
- Mudança de modelo, fornecedor, dados, população ou finalidade.
- Novo país, canal, equipa operacional ou decisão com maior consequência.
- Incidente, reclamação, desvio de desempenho ou controlo que falhou.
- Alteração legal, orientação oficial ou nova evidência sobre o impacto.
O teste de governação
Escolha um sistema em produção e peça a uma pessoa independente para reconstruir a sua finalidade, partes afetadas, riscos, controlos, decisão de lançamento e revisão seguinte apenas com os registos disponíveis.
Se a resposta depende da memória de uma pessoa, a política ainda não se transformou num sistema. O NIST sublinha que documentação, papéis claros e revisão contínua sustentam transparência, revisão humana e responsabilização.
Fontes consultadas
Consultadas na data de atualização indicada.
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