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Regulação15 min de leitura

DORA: como classificar e reportar um incidente ICT sem perder o relógio

A notificação inicial não é um relatório final antecipado. DORA separa classificação, comunicação inicial, atualização intermédia e fecho para que a autoridade receba cedo o essencial e depois a evidência consolidada.

Atualizado
Natureza
Guia operacional para entidades financeiras abrangidas por DORA
Base
DORA e Regulamentos 2024/1772, 2025/301 e 2025/302
Publicado e verificado
4 de agosto de 2026
Limite
Confirme autoridade competente, exceções de calendário e requisitos setoriais aplicáveis
Equipa de resiliência trabalha em três estações sequenciais de evidência e tempo
Classificar e reportar são processos paralelos: o relógio não deve esperar pelo relatório perfeito.Imagem gerada por IA sob direção editorial da Velqory.

Em resumo

Um incidente torna-se major quando afeta serviços críticos e cumpre as condições do regulamento de classificação: acesso malicioso não autorizado com perda de dados relevante ou, em alternativa, pelo menos dois outros limiares aplicáveis. Depois da classificação, a entidade reporta tão cedo quanto possível e, em regra, até quatro horas, sem ultrapassar 24 horas desde que tomou conhecimento; seguem-se o intermédio até 72 horas após o inicial e o final até um mês após o intermédio ou a atualização mais recente. O processo precisa de dois trilhos: decisão regulatória com relógio próprio e investigação técnica que continua a melhorar os factos.

  • O relógio de 24 horas começa no conhecimento do incidente; o de quatro horas liga-se à classificação como major.
  • Se a classificação major ocorrer depois das 24 horas, a notificação inicial continua a ser devida até quatro horas depois dessa classificação.
  • O intermédio é devido até 72 horas após o inicial, mesmo quando não existe mudança material a reportar.
  • Incidentes recorrentes com aparente causa comum podem ser agregados; a avaliação deve ser repetida mensalmente.

A decisão major exige serviço crítico e um teste cumulativo

Comece por determinar se o incidente afetou serviços críticos. Sem esse primeiro elemento, não aplique mecanicamente a fórmula de major. Quando existe impacto crítico, teste o acesso malicioso não autorizado associado ao limiar de perda de dados ou conte quantos dos restantes limiares foram atingidos.

Registe valores observados e intervalos quando ainda há incerteza. A decisão não deve esperar pela causa-raiz final: use o melhor facto disponível, assinale a confiança e reclassifique quando surgir evidência nova.

Relógio regulatório e pacote de evidência

  1. T0
    Tomar conhecimento

    Abrir incidente, preservar hora, serviços, estado, clientes, dados e fonte da deteção.

  2. ≤ 24 H
    Classificar continuamente

    A notificação inicial não pode ultrapassar 24 horas desde T0 quando o caso já é major.

  3. ≤ 4 H
    Notificar após classificação

    Enviar tão cedo quanto possível e até quatro horas depois de classificar como major.

  4. + 72 H
    Entregar intermédio

    Atualizar causa, impacto, mitigação e recuperação; enviar mesmo sem alteração material.

  5. + 1 MÊS
    Fechar com relatório final

    Consolidar causa-raiz, impacto, custos, remediação e evidência após o último intermédio.

Uma árvore única deve alimentar decisão, formulário e direção

Crie um registo canónico e gere dele as três saídas: decisão regulatória, formulário da autoridade e situação executiva. Copiar factos à mão entre documentos cria horas divergentes, contagens incompatíveis e uma falsa aparência de precisão.

Árvore de decisão e evidência por fase

PerguntaDado mínimoResponsávelSaída
Serviço crítico afetado?Serviço, função, início, indisponibilidadeOperações + dono do serviçoAbre ou encerra teste major
Que limiares foram atingidos?Clientes, transações, geografia, duração, dados, custoRisco regulatórioClassificação e confiança
Quando soubemos e classificámos?Timestamps e autores imutáveisIncident commanderRelógios de 24 h e 4 h
O que sabemos agora?Facto, hipótese, fonte e versãoInvestigação técnicaInicial ou intermédio
A operação recuperou?Estado, validação e efeitos residuaisDono do serviçoAtualização de recuperação
A causa e remediação fecharam?Causa-raiz, controlo, dono, prazo, testeRisco + tecnologiaRelatório final

Teste o percurso inteiro com um exercício de 90 minutos

Simule uma falha de terceiro que afeta um serviço crítico, começa com pouca informação e ganha alcance transfronteiriço. Aos 20, 45 e 70 minutos, introduza novos factos que alterem dois limiares. Observe quem tem autoridade para classificar, quem envia e como se reconciliam versões.

O primeiro relatório anual das ESAs sobre 2025 reuniu 3 383 incidentes major; cerca de um terço teve impacto transfronteiriço. Falhas de sistemas e eventos externos foram causas dominantes, reforçando a necessidade de incluir terceiros e infraestrutura partilhada no exercício.

  • Medir tempo até decisão, não apenas tempo até convocar a equipa.
  • Impedir que o formulário dependa de uma única pessoa ou estação de trabalho.
  • Testar reclassificação e correção de um envio anterior.
  • Guardar recibo, versão enviada e correspondência exata com o registo canónico.

Consultadas na data de atualização indicada.

  1. 01Regulation (EU) 2022/2554 — DORAEUR-Lex · EU-EURLEX
  2. 02Delegated Regulation (EU) 2024/1772 — incident classificationEUR-Lex · EU-EURLEX
  3. 03Delegated Regulation (EU) 2025/301 — content and time limitsEUR-Lex · EU-EURLEX
  4. 04Implementing Regulation (EU) 2025/302 — forms and proceduresEUR-Lex · EU-EURLEX
  5. 05ESAs Joint Report on major ICT-related incidents in 2025EIOPA · EU-EIOPA
  6. 06Digital Operational Resilience Act — implementation hubESMA · EU-ESMA